Imagens registradas durante a madrugada revelam o drama de moradores que enfrentam o relento para garantir uma ficha na Secretaria Municipal de Saúde.
O que deveria ser um direito básico garantido pela Constituição tornou-se uma vigília de sacrifício para os moradores de Propriá. Em registros feitos recentemente, por volta das 2h da manhã, a cena em frente à Secretaria Municipal de Saúde é de desolação: dezenas de pessoas, incluindo idosos, espalhadas pelo chão sobre colchões e lençóis, aguardando a abertura do órgão.
A rotina do descaso
A prática de “dormir na fila” não é um fato isolado, mas uma rotina cruel para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Para não perderem a oportunidade de marcar consultas ou exames, os pacientes chegam ainda na noite anterior, munidos de garrafas de café e agasalhos para suportar o sereno e a insegurança das ruas.
O gargalo da Atenção Básica
A situação levanta um questionamento crítico sobre a eficiência da rede de saúde local. Teoricamente, o papel dos Postos de Saúde (Unidades Básicas de Saúde) e dos Agentes Comunitários é justamente descentralizar o atendimento e realizar o acompanhamento preventivo nas comunidades. No entanto, o acúmulo de pessoas na porta da Secretaria sugere um “gargalo” no sistema, onde a ponta final não consegue absorver a demanda, forçando a população ao deslocamento centralizado e à exposição humilhante.
Saúde ou “Favor”?
A principal crítica observada entre os usuários é a sensação de que o atendimento médico está sendo tratado como um “favor” concedido pela gestão, e não como um serviço público eficiente. A falta de um sistema de agendamento moderno ou de uma triagem que evite aglomerações noturnas é vista por especialistas em gestão pública como uma falha administrativa que fere o princípio da dignidade da pessoa humana.
O outro lado
Até o fechamento desta matéria, não houve um posicionamento oficial sobre medidas para acabar com as filas nas madrugadas ou sobre a expansão do atendimento nos postos dos bairros.