O Big Brother Brasil e a inversão de valores

Imagem compilada do site: pensamentosdeumageminiana.blogspot.com
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Uma das coisas mais difíceis para alguém que se propõe ao desafio de refletir e escrever, sem dúvida, é discorrer sobre assuntos que agradam grandes multidões, sobretudo quando se faz uma análise crítica (diga-se diferente do pensamento majoritário social) e se conclui aquilo que a “grande massa” não quer ver, nem ouvir. Pautando-me pela minha liberdade de expressão, garantida constitucionalmente, no Art. 5º, inciso IV, de nossa magistral Constituição, onde “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”, obviamente dentro dos limites do bom senso e não ferindo as esfera de direitos de ninguém, acredito sinceramente na importância das lucubrações a seguir.

O famoso BBB, programa de entretenimento da Rede Globo de Televisão, é espécie do gênero “reality show“, onde a vida é explorada, in natura, por assim dizer. Esse tipo de programa prende a atenção social, acredito eu, por ter “pessoas do povo”, verdadeiros “desconhecidos”, como personagens principais em cena, os quais, no mais das vezes, servem de paradigmas comportamentais para os que assistem e se identificam com eles. É justamente esse o ponto a que se pretende chegar aqui.

Em todas as edições do programa, sempre existiram desentendimentos, romances, baladas, brigas, entre outros. Não preciso nem comentar o porque que isso atrai tanto as pessoas. O homem tem um triste interesse por situações de conflito e, ultimamente, até se apraz ao ver violência de todo gênero, até mesmo a deseja. Isso fica bem exemplificado nos casos em que se noticia que a polícia MATOU BANDIDOS ou que alguém prendeu um ladrão a um poste e este foi espancado até que as autoridades chegassem. Num país onde há aproximadamente 60 mil homicídios por ano, a violência já está tão banalizada quanto o ato de escovar os dentes.

Todavia, há algo preocupante nisso tudo. Os programas de TV, sobretudo os de entretenimento como o BBB, além de serem uma distração, modulam o comportamento das pessoas, formando opiniões e ações, ainda que silenciosamente. Quem, quando criança, não assistiu a um filme que gostou muito e, logo depois, foi brincar se fingindo ser o personagem adorado? Com os adultos a coisa também se repete, só que nessa fase da vida,  nada é uma brincadeira.

Nos últimos dias, vem havendo um verdadeiro “estardalhaço” nas redes sociais, ora em apoio, ora em repulsa às ações de uma das participantes do programa, que em nome da SINCERIDADE ou da possível VITÓRIA NO JOGO, grita, esperneia, ofende e fere a dignidade de algumas pessoas no confinamento. Fato é que ela, como bem chama o apresentador do programa, INFELIZMENTE, vem se tornando uma “heroína” no imaginário de muita gente, que agora acredita que vale qualquer coisa em nome da sinceridade. Os valores, o bom senso, o respeito, o amor ao próximo, como bem ensinou o filho DEUS, tem sido relegado para outro plano de importância na sociedade brasileira. O comportamento de tal participante é apenas o reflexo disso e, como um verdadeiro “espelho de vaidades” vem banalizando atitudes como essas na cabeça de inúmeros brasileiros.

Não sou partidário daqueles que pensam que quem assiste a esse tipo de programa tem mente vazia, longe disso! A liberdade acima mencionada lhe confere a possibilidade de assistir e gastar o seu tempo da maneira que mais lhe agrada. No entanto, é preciso assistir a essas e outras atrações na TV com um olhar mais atento e diferenciado sobre os possíveis impactos que elas trarão ao comportamento das pessoas, sobretudo quanto a inversão de valores sociais na qual nos encontramos atualmente. Portanto, é mister resgatar a humanidade e os valores há tanto tempo perdidos, pois uma sociedade evoluída, livre, justa, só o é de fato, quando norteada por valores que evidenciam o mais profundo e sincero respeito à dignidade humana.

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