Canindé e a Refavelização dos problemas

Há 30 anos a Chesf iniciou a estruturação da nova sede do município. A Canindé de Cima foi entregue aos canindeenses com a estrutura urbana básica para o previsto desenvolvimento. A partir de então foram nascendo da poeira e da lama os bairros da Torre, Trevo, São Francisco e Olaria. Mais de 20 anos foram necessários para dar aos bairristas o saneamento, pavimentação, energia elétrica, escola e atendimento médico local. Felizmente, o projeto de expansão urbanizada da cidade pretendido pela Chesf foi mantido, ou pelo menos tentado.

Curiosamente, apesar da situação econômica decadente, Canindé foi o município que apresentou o maior crescimento populacional do Estado na última década. O resultado disso foi o crescimento descontrolado da cidade, com o retorno de todas as misérias que não são vistas do Centro. Basta dar uma volta pelo Bairro Novo, Marruá e Cidade de Deus para ver o ressurgimento dos problemas já solucionados (ou não): esgoto correndo a céu aberto, ruas de barro e casas construídas no que deveria ser a rua.

Ainda mais grave é a ocupação da Serra do Chapéu. Casas sendo construídas no caminho de decida para o rio. Depois de todo o esforço para transferir a cidade de baixo para cima, a cidade insiste em voltar de cima para baixo.

Mirando a próxima administração, eleita no Domingo, vê-se desafios. O município é desafio.

Receita reduzida, miséria multiplicada.

Uma pena, Graciliano. Suas Vidas Secas ainda persistem, 100 anos depois.

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