O Alto Sertão de Sergipe parou nesse sábado 14 para se despedir de uma de suas figuras mais emblemáticas. O falecimento de Frei Enoque Salvador de Melo, aos 84 anos, marca o fim de uma era onde a fé e a luta social caminhavam de mãos dadas nas poeirentas estradas de Poço Redondo. O frade capuchinho, que trocou Pernambuco pelo solo sergipano na década de 1960, faleceu em um hospital de Aracaju após complicações de saúde, deixando um legado de três mandatos como prefeito e décadas de missão religiosa.
O velório, realizado na Igreja Matriz de Poço Redondo, reuniu desde autoridades estaduais até trabalhadores rurais que viam no religioso não apenas um gestor, mas um missionário. Frei Enoque foi o arquiteto de uma transformação social na região, sendo um dos principais articuladores do apoio aos movimentos de luta pela terra e organização de comunidades de base. Sua atuação política, interrompida em 2012 por recomendação das normas canônicas, foi pautada pela priorização das camadas mais humildes, o que lhe rendeu o título popular de “Pai do Povo”.
O clima no município é de luto oficial e profunda gratidão. Para as gerações que acompanharam sua caminhada, Enoque personificou o conceito de “Igreja em Saída”, onde o altar se estendia até as necessidades mais urgentes do povo sertanejo. O sepultamento, carregado de simbolismo, encerra um capítulo de dedicação integral ao Semiárido, mas imortaliza um nome que agora se torna símbolo de coragem e compromisso social em Sergipe.