Política canindeense: a quadrilha


- 26 de fevereiro de 2016 | - 6:29 - - Home » » »

“João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.”

 

Assim como você, sapientíssimo leitor, os críticos de poesia devem ter se perguntado qual a intenção do Drummond ao escrever esse poema aparentemente sem sentido. O mais curioso é o fato de terem enxergado beleza nessa sequência de desencontros e decepções e um final feliz para o J. Pinto Fernandes que sequer estava na história. A boniteza do poema está além do que se lê.

O que isso tem a ver com a política em Canindé? Pensando fora da caixa você verá que o J. Pinto Fernandes não foi o sortudo no poema do Carlinhos. Ele foi a causa de toda a confusão. Lendo o poema ‘de trás pra frente’ você notará que a entrada desse indivíduo foi a causa do destino de todo o resto. Analisando friamente os conchavos que foram e estão sendo formados em Canindé nós veremos algo muito parecido com a quadrilha do Drummond.

No princípio era o caos. A administração Hortência Carvalho, então vice-prefeita e esposa de Jorge Luiz, iniciou após a morte suspeita do prefeito Delmiro Britto. O presidente da Câmara ameaçou não permitir que a vice assumisse por haver fortes suspeitas contra ela. Solução? Foi assassinado e hoje dá nome ao plenário Ademar Rodrigues de Assis.

No segundo dia Orlando Andrade era vice-prefeito de Genivaldo Galindo. Venceram Jorge Luiz nas eleições, que contava com o apoio de Luiz Eduardo Costa, proprietário da emissora de rádio Xingó FM. E o povo viu que isso era bom.

No terceiro dia o Andrade se apartou do Galindo. Orlando recebeu o apoio do PT de Missinho Balbino e lançou candidatura a prefeito, escolhendo a esposa de Luiz Eduardo como vice-prefeita, Eliane de Moura Morais. Genivaldo substituiu Orlando pela herdeira política da família Feitosa, sua nora Rosa Maria. Galindo derrota Jorge Luiz, seus ex-aliados Orlando e Eliane, e inicia seu segundo mandato, mas não termina. Após a renúncia do prefeito Rosa assume mas tem o mandato também interrompido por intervenção estadual. Esse foi o terceiro dia. Apesar de parecer confuso, o povo viu que tudo isso era bom.

No quarto dia o filho de Orlando se junta a Luiz Eduardo e aos amigos de Jorge Luiz.  Unidos derrotam o Rosado Júnior Galindo (primo de Genivaldo) e o PT Balbino que estava com Paulo de Deus. E o povo viu que isso também era bom.

O quinto dia foi continuação do primeiro. O PT Balbino foi forçado(?) por Marcelo Déda a apoiar Orlandinho, que foi reeleito. O povo viu que isso era muito bom.

No sexto dia Luiz Eduardo, Rosa Maria, Galindos, Missinho do PT Balbino esqueceram a discórdia, o presente e o passado, uniram-se e elegeram Heleno Silva que ainda não tinha entrado na história. O povo gritou que isso era bom.

O povo se arrependeu. As forças também. O caos voltou.

O povo que aprovou tudo isso hoje reclama diariamente nas redes sociais. Brigam. Ofendem-se. Mas o povo deposita todas as esperanças e soluções nos mesmos nomes que integram e sempre integraram a mesma quadrilha. Não notaram que eles trocam apenas de parceiro. No Xote estão com um, no Xaxado estão com outro, de acordo com o que melhor convém no “anarriê”.

O povo se mantém como expectador, torcendo e aplaudindo aquele par que melhor lhe agradar.

No sétimo dia, que deveria ser o de descanso disso tudo, Orlandinho estará com Heleno e Luiz Eduardo. Rosa Maria ainda estuda um nome a indicar. Galindos e Missinho do PT Balbino mantem-se indefinidos.

E o povo? Continua achando que tudo isso é bom.

Eu tenho pena do povo.

 

 

Por: Denisson Santos
Canindeense, católico, apaixonado pelo Sertão, quase doutor em Engenharia de Processos. Aprendiz na Política, amante da leitura.
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