OPINIÃO: Pela Democracia ou pelo Poder

A aprovação do impeachment pela Câmara acirrou a polarização no Brasil. Golpistas e democratas. Reduziram 200 milhões de brasileiros a isso. Uma definição simplista e contraditória. Indefinida. Quem é o golpista? Quem é o democrata? Analisemos.

O entitulado golpista foi trazido ao Governo pelo PT como forma de agradar a todos os braços do PMDB. Jurista experiente, já perdeu eleição de centro acadêmico (!). Duas vezes suplente, conseguiu eleger-se deputado federal apenas depois de usar a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo como escada. Algo muito comum na nossa política. Tornou-se Vice-Presidente graças ao jogo estratégico petista. Pode tornar-se Presidente graças aos mesmos erros.

Já os que se declaram lutar pela Democracia estão agora pedindo a cassação de Jair Bolsonaro. Dizem que ele deveria perder o mandato por defender torturadores do governo militar. Vejam bem! Ele é o deputado federal mais bem votado do Rio de Janeiro. Recebeu quase meio milhão de votos, apesar das ideias que defende. Não mereceria o cargo apenas por destoar do senso comum? Os que se dizem defensores sabem realmente o que é Democracia?

O Congresso é um retrato fiel da política brasileira, da população brasileira.

Alegam não existir crime de responsabilidade. Todos os presidentes pedalaram. Os empréstimos tomados pelo Governo Federal aos bancos públicos foram usados para pagar benefícios sociais e isso justificaria-se por si mesmo. Há diferenças!

Façamos uma analogia… Imagine que a cada mês um ladrão de galinha visite seu galinheiro. Você não se importa porque sabe que ele faz isso para alimentar a família e, no fim das contas, a produção de ovos segue estável. Até que um dia roubam a matriz, o galo reprodutor que garantia a manutenção do galinheiro. Você continuaria a permitir a ação do ladrão?

O Direito não é uma ciência exata. Ele se ajusta à visão do julgador e deve sempre evoluir para alcançar os anseios do povo e do momento histórico. Dizem que nunca antes na história desse país puniu-se um presidente por haver cometido “pedaladas” fiscais. De fato. Também nunca antes um presidente pedalou tanto. Dilma Roussef usou um valor 36 vezes maior que seus antecessores.

O dinheiro da Caixa Econômica foi utilizado pra mascarar a crise em que estávamos já em 2014, como pode ser visto no infográfico. Porém, anunciar que o país está financeiramente insustentável em ano eleitoral é declarar derrota. Pegando o varedo contrário, Dilmãe reduziu o valor da conta de energia e congelou o preço dos combustíveis. Não bastava ter usado dinheiro de banco para quitar dívidas do seu governo, ela cortou duas fontes importantes de receita. Caiu em estelionato eleitoral. Enganou a população vendendo um Brasil e entregando outro logo após ser eleita. O Brasil real.

Fonte: https://medium.com/aos-fatos/dilma-pedalou-35-vezes-mais-que-lula-e-fhc-juntos-aee888dd1880#.90jcsbikd
Pedaladas fiscais cometidas pelos presidentes ao longo do tempo (clique no infográfico). Fonte: https://medium.com/aos-fatos/dilma-pedalou-35-vezes-mais-que-lula-e-fhc-juntos-aee888dd1880#.90jcsbikd

Sobreduto, o impeachment é um processo político. Baseado em algum fundamento jurídico, mas político. Collor foi retirado do Planalto por crimes investigados pelo Congresso. Logo após, o Supremo Tribunal Federal o absolveu dos mesmos crimes. Ninguém falou em golpe. Ninguém se desculpou. A História transformou os caras-pintadas em heróis nacionais. Tudo isso porque Collor mexeu no bolso do brasileiro. Dilma fez o mesmo.

Quem é pela Democracia entrega a decisão ao povo.

Se a Democracia valesse mais que o projeto de poder de um ou outro partido já teriam convocado novas eleições. Ao invés disso, gritam para a imprensa internacional que os brasileiros tem um “veio golpista adormecido”. Vai-se a ONU sujar a imagem do Brasil. Buscam deslegitimar qualquer outra forma de governo. Gritam que “não haverá trégua nem estabilidade”.

A manutenção de poder vale mais que  o futuro de 200 milhões de brasileiros.  Quando estávamos chegando ao presente, voltamos a ser o país do futuro. Futuro cada vez mais distante.

Infelizmente.

Não é pela Democracia!

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