OPINIÃO: Agências de risco e a distopia do Mercado Financeiro

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Imagem ilustrativa

O cenário político nacional, que não vem navegando em águas tranquilas, no dia de ontem, se agitou ainda mais com a notícia, velozmente disseminada pelos meios de comunicação,  de que a Agência de Classificação de Risco – Standard & Poor’s rebaixou a nota atribuída ao Brasil, para grau especulativo, na avaliação da agência o Brasil a partir de agora, passara a ser um mal pagador, vale saliente que o Brasil, ao longo da história, nunca deu calote nos investidores. Importante compreender, que, ao rebaixar a nota para grau especulativo, a S&P complica ainda mais a situação do Brasil, por que os juros para investimentos se tornam mais caros e com prazos mais curtos para o pagamento, alguém lucra com isso. Cria-se um clima para a sociedade brasileira, de distopia, que é um estado imaginário de que o momento é muito pior do que a realidade factual.

Adam Smith, em sua obra “A riqueza das Nações” apresenta ao mundo a teoria da ‘mão invisível’ que tem como uma base fundamental, a participação mínima do Estado na regulação do mercado. A “assimetria de informações” – isto é, o fato de alguns terem mais informações que os outros – influencia diretamente para prejudicar o funcionamento adequado da “mão invisível”, por consequência, o próprio mercado.

 Em um mundo com uma economia tão globalizada, o vaivém de informações, atribuições de notas de risco sobre investimento, como ocorre neste momento com o Brasil, é cada vez mais importante para investidores estrangeiros obterem lucros, concentrarem poder e acumulem riqueza, abrindo uma fenda ainda mais profunda de desigualdade socioeconômica que atinge prioritariamente, a classe trabalhadora.

As agências de risco tem um papel altamente questionável, a Standard & Poor’s, em Fevereiro deste ano foi condenada a pagar 1,43 bilhões de dólares, após fazer acordo com os EUA, por ter ‘enganado’ investidores sobre a qualidade dos créditos imobiliários durante a crise econômica de 2007 e 2008.  Em sua justificativa a agência de classificação avalia a deterioração fiscal e a falta de coesão da equipe ministerial, como causas para a decisão de rebaixar a avaliação referente ao Brasil para os investidores. O Governo brasileiro apresentou ao congresso nacional, na última semana, a previsão orçamentária, que aparece um déficit equivalente de 0,3% do PIB é necessária que a presidenta Dilma Rousseff controle ainda mais os gastos, para equilibrar as contas, mas é difícil acreditar que com base nisso, o Brasil passe a ser considerado, pelas agências de risco um lugar que não se deva investir porque não haveria condições de honrar com seus compromissos.

  A postura da equipe econômica brasileira em correr para das explicações, sobre essa avaliação, é uma legitimação deste processo, de interferência internacional na condução da política econômica nacional. Em vista a Argentina, onde participa de um Congresso Internacional sobre Responsabilidade Fiscal o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou  a nova classificação de risco do Brasil, segundo a  Standard & Poor’s. “Isso não significa nada”,  e acrescentou  “significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer”.  Ainda em seu discurso, Lula criticou as agências de risco, argumentando que elas usam critérios diferentes para os “países quebrados da Europa”.

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