Postado em Cidades» Plantão» Política - 17 de junho de 2017 - 7:00 - Sem Comentários

Cenários de um Brasil em Crise; Por: Camilo Feitosa Daniel

Há pouco mais de um ano foi dado um golpe de estado no Brasil. As bases legais do golpe seriam as pedaladas fiscais, que logo depois da votação do impeachment se transformaram em norma, deixando de ser consideradas crime de responsabilidade fiscal. Além de ter como missão “estancar a sangria”, esse golpe também tinha como objetivo implementar um receituário neoliberal, que o PMDB apresentou como um recado ao Capital Financeiro, intitulado de “ponte para o futuro”.

imagem compilada do site nexojornal.com

Apesar do legado deixado pelo governo do PT nas suas administrações – pautando o desenvolvimento com distribuição de renda e direitos, associados a uma política externa de soberania nacional, que levou Chico Buarque a afirmar que: “O governo do PT não falava grosso para os vizinhos e não falava fino para os Estados Unidos”. – sem dúvidas a maior contribuição dos governos PTistas foi a paralisação do receituário neoliberal na nossa política econômica.

Durante a crise financeira de 2008 que atingiu em cheio o mundo desenvolvido, as saídas que diversos governos -em várias partes do mundo – utilizaram foi a interferência do Estado na economia, estatizando Bancos e industrias, além de utilizar o Governo para aumentar os subsídios e investimentos; no caso brasileiro, é exatamente nesse período que o Governo Lula amplia o investimento público em grandes obras, através do Programa de Aceleração do Crescimento e de programas como o Minha Casa minha Vida.

Entre 2014, 15 e 16 a crise econômica aprofundou no Brasil de forma avassaladora e em grande medida foi potencializada pela crise política instalada desde a reeleição de Dilma. Nesse momento de crise, onde o PIB deixa de crescer, a arrecadação do Governo também cai e o país passa a ficar paralisado, outro elemento também passa a ter importância, que éo papel do poder judiciário, que através da operação lava a jato bloqueou o pagamento dos serviços da Petrobrás para as empresas envolvidas nos escândalos de corrupção, o que deixou milhares de trabalhadores desempregados e aos poucos desmontou a indústria nacional da construção civil e da construção pesada.

Após o impeachment de Dilma o programa econômico da ponte para o futuro começa a ser implementado com o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos aprovados no Congresso com a PEC 241/55, com a entrega do Pré-sal e com as propostas de Reforma da Previdência e trabalhista. Um verdadeiro escárnio que o povo brasileiro começou a rejeitar.

Se a impopularidade do ilegítimo era alta pela conspiração durante o impeachment para estancar a sangria e logo depois pelo anuncio das reformas, o atual momento traz mais motivos para o seu afastamento após os áudios dos donos da JBS, que demonstram no mínimo o crime de prevaricação, o uso do “jatinho JBS” para passear com a família e o vazamento de dados importantes da economia, como a informação da redução da taxa de juros.

Não é apenas o presidente que é ilegítimo, mas também é ilegítima a sua política econômica. Não foi isso que o povo brasileiro elegeu em 2014, numa campanha que tinha como mote: “mais mudanças e mais futuro”. Da mesma forma, é importante ressaltar que o Congresso Nacional foi eleito ainda pelo financiamento empresarial, e está cada vez mais nítida a promiscuidade existente nessa relação entre o poder econômico e o poder político, que significa o sequestro da democracia brasileira pelo grande capital.

É preciso reestabelecer a democracia e o desenvolvimento econômico no Brasil, e isso só será possível com eleições diretas pra presidente da república, com a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que tenha como objetivo a reforma do sistema político brasileiro.

Mas isso por si só não fará o Brasil retomar o crescimento, e por conta disso é necessário uma nova política econômica, que volte a mirar no pilar do investimento público e da distribuição de renda, com uma política econômica que a)baixe as taxas de juros para favorecer a produção e não a especulação; b) que faça a auditoria da dívida; c) apresentando uma reforma tributária, onde os mais ricos paguem impostos em detrimento dos mais pobres e da classe média, priorizando o Imposto sobre as grandes fortunas; d) Diminuir os impostos sobre bens e produtos de consumo popular; e) Um programa de Reforma Agrária e valorização da agricultura familiar; f) Reativação da Industria da construção civil;e o mais importante, g) revogar todas as leis que retiram direitos do povo brasileiro e capacidade de investir do estado.

É mais provável, no entanto, que a burguesia brasileira, representados institucionalmente pelo PSDB, DEM, PMDB, e outros partidos, prefira uma saída sem a participação do povo, sangrando o Brasil com uma eleição indireta para presidente e a formação de um novo governo que tenha como compromisso a continuidade das reformas da previdência e trabalhista propostas pelo atual governo.

Uma saída sem povo vai agravar ainda mais a crise política e econômica brasileira. E é apenas com mobilização popular que conseguiremos colocar o povo brasileiro como protagonista desse momento, levantando a bandeira das eleições diretas, da constituinte para reformar o sistema político e de um Plano de Desenvolvimento econômico Popular.

Por: Camilo Feitosa Daniel / Bacharel em Ciências Sociais, mestrando em Geografia. Militante do MST, filiado ao PT e da Frente Brasil Popular

Por: Daniel Rezende
Estudante de Comunicação Social - Jornalismo; Habilitado como Jornalista com DRT/SE 2.049; Sócio e Repórter do Mais Sertão; Apresentador e Repórter da Xodó FM.
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