Postado em Colunas» Direito em "Papo Reto"» Plantão» Slide - 13 de setembro de 2016 - 10:16 - Sem Comentários

Cassação de Cunha: surto de decência do nosso parlamento ou cessão às pressões midiáticas e populares?

Imagem compilada do site amigodecristo.com

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Ordinariamente nossa coluna tem artigos publicados às segundas-feiras. Entretanto, dada a extraordinariedade do fato histórico de ontem, extraordinária também deve ser esta publicação. Ontem teve fim o processo de cassação de mandato mais longo da história da Câmara dos Deputados, não pelo fato de haver sido um caso de difícil prova, mas pelas manobras articuladas pelo réu do processo e seus apoiadores que, aliás, abandonaram-no à própria sorte.

Justamente é esse ponto que merece atenção e reflexão. A tão esperada cassação, por 450 votos a 10, sendo irrisórias as abstenções, gera uma série de repercussões no país e até mesmo internacionalmente. Mas, o que muda na cabeça dos cidadãos? Será que o povo brasileiro conseguiu apreender todo processo e suas entrelinhas? Para muitos (já ouvi falarem ainda hoje): “nossos parlamentares parecem ter acordado. Até que enfim, podemos enxergar uma mudança nesse país”! Será mesmo? Tamanha é a ingenuidade dos que assim estão enxergando o deslinde desse processo.

A cassação de um dos políticos mais dissimulados desse país é louvável, obviamente. Entretanto, não dá para se acreditar em contos de fada. Não, os nossos parlamentares não tiveram um surto de decência, como pensam lamentavelmente alguns. Acontece que, diante da pressão midiática, explorando publicamente todas as minúcias do processo de cassação ao longo de sua duração, e da pressão popular, inclusive ontem na recepção dos deputados, estes não enxergaram alternativa a não ser votar contra o colega de parlamento. Ninguém, a não ser os 10 votantes contrários à cassação, quer se sujar com a população, manchando sua “ilibada imagem”, apoiando um dos políticos desprestigiados da história desse país.

É, meus amigos. Nossa forma de fazer política está longe de alcançar o patamar de decência de que precisamos para nos tornar uma verdadeira nação justa e solidário, como determina nossa Constituição Federal. A intenção nunca foi cassar o mandato de Cunha, até mesmo porque eles podem ser as próximas vítimas de novos processos, ou vocês acham que ali estão “todos limpinhos”? Feliz de nós, enquanto nação, se realmente o resultado desse processo tivesse mesmo o condão de mudar a deplorável crise ética e moral pela qual passamos, sobretudo na política.

Por: Tiago Vieira

Nasceu na Cidade de Nossa Senhora da Glória, no interior do Estado de Sergipe. É Graduado com Licenciatura Plena em Ciências Naturais pela UNIVERSIDADE TIRADENTES – UNIT (2009). ATUALMENTE: Graduando do bacharelado em Direito pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE – UFS; Oficial Administrativo da Secretaria de Estado da Educação de Sergipe – SEED/SE; Atua como Articulista Voluntário do Portal CONTEÚDO JURÍDICO (http://www.conteudojuridico.com.br), onde contribui com a publicação de artigos científicos; Atua como Articulista Voluntário do Portal WEBARTIGOS.com (http://www.webartigos.com), contribuindo aqui com artigos diversos; Atua como Editor e Colunista (além de idealizador) da Coluna Jurídica DIREITO EM “PAPO RETO”, do Portal MAIS SERTÃO, da cidade de Nossa Senhora da Glória (www.maissertao.com.br); É idealizador do BLOG JURÍDICO: www.dissertandosobredireito.wordpress.com, onde escreve crônicas jurídicas e artigos de opinião. Atua também como editor e revisor, no próprio blog, uma vez que recebe contribuições externas de outros autores.

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