Postado em Plantão» Slide - 28 de novembro de 2016 - 9:56 - Sem Comentários

Audiência discute medidas de combate à seca no Sertão de Sergipe

“Não é só a preocupação dessa Casa, mas de uma cadeira produtiva. Convocamos essa audiência pública, devido à escassez de água em todo o Estado de Sergipe, principalmente na região do Alto e Médio Sertão. Precisamos de ações que visem amenizar o sofrimento dos sertanejos”. Foi o que afirmou na manhã desta sexta-feira (25), o deputado Jairo de Glória, presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), durante Audiência Pública realizada com o tema: “Discussão sobre a problemática da seca e a escassez de água que afeta o sertão sergipano”. Ao final das discussões foi definida a criação de uma comissão formada por cinco deputados visando elaborar um documento para ser entregue ao governador Jackson Barreto (PMDB), solicitando ações para minimizar o sofrimento dos sertanejos.

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Foto: Jadilson Simões


 

“Convidamos vários órgãos do Governo, produtores e lideranças comunitárias, visando traçar metas, planos e ações estratégicas para combater a estiagem no sertão e amenizar a vida dos sertanejos. Acreditamos que enquanto o Canal de Xingó não sair de fato, a situação continue apenas com efeitos paliativos. O intuito nosso é saber o que temos de fato para mostrar a população, pois a Defesa Civil já tinha anunciado essa seca e não temos ações efetivas, medidas paliativas para a perda de animais, as barragens secando”, destaca o deputado Jairo de Glória.

Enfrentamento

O diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), José Carlos Felizola, afirmou que a Cohidro tem se adequado para enfrentar o problema da seca em todo o Estado de Sergipe. “Existe uma crise muito grande no Estado brasileiro como um todo, mas a Cohidro tem se adequado para enfrentar uma das piores secas do Nordeste. Uma seca que já está no quinto ano consecutivo, de chuvas irregulares não apenas no semi-árido sergipano, mas em outras regiões. Existe um problema sério da escassez dos recursos hídricos e a Cohidro tem se amoldado a essa situação para que possamos levar os melhores serviços para os sertanejos”, ressalta.


 

Felizola destacou que vários projetos que estão em Brasília saíram do Governo do Estado. “Esses dias o governador Jackson Barreto estará lançando um Programa de Enfrentamento dessa problemática visando levar ao povo sertanejo essa problemática para que possamos levar algumas ações para que possamos enfrentar essa realidade triste que estamos vivendo”, complementa.

O superintendente substituto da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Oscalmi Porto Freitas falou sobre a importância da audiência. “O tema é de extrema relevância e a gente vem principalmente pela situação atuando no rio São Francisco, onde a gente vem fazendo algumas ações individualizadas como a instalação de cisternas para a população da área rural e manutenção do rio, além da implantação do abastecimento de água e esgotamento sanitário”, diz acrescentando que a situação vem agravando a escassez de água com a baixa da vazão do rio São Francisco, que baixou para 750 metros cúbicos por segundo.


 

“A redução vem demandando algumas ações da Codevasf em implantação de bombeamento flutuante e a dragagem de um trecho do rio São Francisco para garantir o abastecimento de água em Propriá e da adutora que atende Aracaju”, completa.

Carros-pipas

O líder comunitário de Poço Redondo, Humberto Diniz, conhecido na região como Bebeto de Barra da Onça, o problema mais sério no município está na distribuição de água. “A situação está crítica. O problema mais sério em Poço Redondo é a água e em segundo, a alimentação para o gado porque não existe mais. Os pastos estão secos e se não socorrer urgente, vamos morrer. O programa da Defesa Civil está parado e só está aparecendo os carros do Exército, botando uma carrada d’água em uma cisterna em uma comunidade, para uma pessoa de casa pegar 10 mil litros. Os órgãos dos Governos Federal, Estadual e Municipal precisam rever o mais rápido possível essa situação que vem enfrentando o sertanejo”, entende.

Força-tarefa

 

A deputada Ana Lúcia Vieira (PT), propôs na audiência, a criação de uma força-tarefa com a finalidade de criar uma Comissão Especial para levar as demandas apresentadas ao governador Jackson Barreto.

“A audiência Pública provocada é de extrema importância porque tem o papel de escutar a população para entendermos melhor a problemática e o deputado Jairo fazer os encaminhamentos e podermos dialogar com os poderes. Numa crise dessa, o Estado precisa ter uma Força Tarefa, da mesma forma que o Ministério Público fez com o rio São Francisco”, sugere.

Ana Lúcia lembrou que a questão não é tão simples. “Existe planejamento, mas precisamos de uma força-tarefa, pois a situação é gravíssima, já estamos entrando num colapso. Nessa força precisamos da comunidade, dos estudantes e dos órgãos para buscar alternativa emergencial. O Canal Xingó vem desde meu primeiro mandato, há 14 anos e até agora não conseguimos os recursos necessários”, lamenta.


Política-pública
Ana Lúcia acrescentou que ser preciso discutir sobre o reflorestamento, a discussão de como captar água, educar a população de que não pode ter aquele tipo de gasto. Tudo passa para a educação das comunidades. Não vamos continuar com essa ideia de grandes projetos e os milhões não chegam na atividade fim. Não vejo saída se não for no diálogo”, acredita.

A deputada Maria Mendonça (PP), lamentou a ausência de representantes da bancada federal e de prefeitos. “É preciso vontade política. Aqui deveria estar toda a bancada federal, estadual e todos os prefeitos para a somação de esforços e obter resultados. A situação apresentada aqui, a gente a conhece, mas é de uma gravidade sem precedente. É preciso um trabalho educativo e política pública. Temos problemas sérios com as barragens. Em Itabaiana temos Jacarecica 1 e Poções da Ribeira, mas não existe trabalho de revitalização das barragens. Estamos vendo muito discurso e pouca ação”, alfineta.

O deputado Luciano Pimentel (PSB) também participou da audiência e solicitou que a comissão formada faça uma visita do Departamento Nacional de Obras (DENOCs/SE). “Estou sentindo falta de um representante do Denocs, órgão de grande importância para minimizar os efeitos da seca”, diz.


 

O secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, parabenizou a Assembleia Legislativa sobre o evento e destacou o problema da seca no Nordeste. “Cheguei esta manhã do Ceará onde participei de um evento em Fortaleza debatendo a preocupação do semi-árido, os biomas dos muitos países que passam por situações parecidas com o do Brasil. O Castanhal, o principal açude do Ceará está com apenas 7% da capacidade, correndo risco de clocar em colapso todo o Estado. E eu quero parabenizar o deputado Jairo de Glória e a Assembleia por nos proporcionar com um debate tão importante sobre os efeitos da seca e as ações aqui em Sergipe”, diz.

A mesa foi composta pelos deputados Jairo de Glória, Ana Lúcia Vieira, Maria Mendonça, o secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal; o prefeito de Canindé do São Francisco, Heleno Silva; o metereologista Overland Amaral, da Secretaria de Meio-ambiente e Recursos Hídricos; o superintendente substituto da Codevasf, Oscalmi Porto; o diretor presidente da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Carlos Melo; o diretor-presidente da Cohidro, José Carlos Felizola e o diretor-técnico da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário (Emdagro), Gismário Ferreira Nobre.

Por Agência de Notícias Alese

Por: Daniel Rezende
Estudante de Comunicação Social - Jornalismo; Habilitado como Jornalista com DRT/SE 2.049; Sócio e Repórter do Mais Sertão; Apresentador e Repórter da Xodó FM.
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